
O Governo de Roraima suspendeu por 15 dias o calendário de queimadas controladas no Estado. A decisão foi tomada por unanimidade pelo Comitê Estadual de Queimadas nessa quarta-feira, 14, e anunciada nesta quinta-feira, 15, em coletiva de imprensa no auditório do CBMRR (Corpo de Bombeiros Militar de Roraima)
A suspensão busca reduzir os riscos de incêndios diante do avanço da estiagem e do aumento dos focos de calor. O prazo poderá ser prorrogado conforme as condições climáticas. A Femarh (Fundação Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos) ficará responsável pelo monitoramento e pela fiscalização da medida.

“Durante esse período, vamos reanalisar os dados e refazer o planejamento das operações. Todo foco de calor que surgir será analisado e poderá resultar em sanções administrativas, civis e penais. Pedimos que a sociedade compreenda o momento que o Estado está passando”, afirmou o presidente da Femarh, Wagner Severo.
Dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), reunidos no Boletim de Focos de Calor nº 177/2026, da Femarh, apontam 174 focos entre 1º e 14 de outubro. No mesmo período de 2025, foram registrados 50, um aumento de 248%.

O comandante-geral do CBMRR, coronel Anderson de Matos, explicou que as condições climáticas elevam o risco de perda de controle do fogo durante as queimadas. Segundo ele, o Estado registrou 114 focos em cinco dias e já ultrapassou a média histórica de ocorrências.
“O produtor rural que fizer uso do fogo poderá perder o controle da queimada. As informações técnicas apontam que já não há tanta segurança para realizar essas atividades. Por isso, decidimos suspender o calendário”, afirmou.
A falta de chuvas também preocupa. De acordo com o comandante, Roraima registrou apenas 248 milímetros de chuva em julho, diante de uma média de aproximadamente 300 milímetros. Em agosto, o volume foi de 16 milímetros, enquanto a média histórica para o mês fica em torno de 200 milímetros.

Risco de incêndios no Estado
As previsões apontam risco médio de fogo em diferentes áreas de Roraima, com pontos de risco alto no Norte, especialmente em Bonfim, Normandia e Uiramutã. Partes de Alto Alegre, Amajari, Boa Vista, Cantá, Iracema, Mucajaí e Pacaraima também exigem atenção.
No Sul do Estado, Rorainópolis registrou mais de 40 focos de calor. Para o pesquisador da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), Haron Xaud, a suspensão é necessária diante da estiagem e das previsões para os próximos dias.
“A Embrapa está de acordo com essa atitude do Governo. Os focos estão todos acima dos recordes e com um prognóstico muito severo para os próximos dias. Tem toda uma ciência por trás mostrando que realmente a estiagem está muito forte. Então é completamente correta a ação de suspensão pelos próximos 15 dias das queimadas controladas”, afirmou.
Governo realiza ações contra a estiagem
Desde setembro, está ativo o Gabinete Integrado El Niño 2026-2027, coordenado pela Casa Civil e pela Defesa Civil Estadual, com participação de 19 órgãos e entidades. O grupo organiza ações nas áreas de segurança, meio ambiente, saúde, abastecimento de água e produção rural. No mês passado, o Estado decretou situação de emergência por 180 dias devido à estiagem, classificada como desastre de nível 2.
No abastecimento de água, a Caer mantém três ETAs (Estações de Tratamento de Água) e 110 poços em Boa Vista, com produção estimada em 1.650 litros por segundo. No interior, as medidas incluem limpeza de poços e distribuição por caminhões-pipa em Rorainópolis, Caroebe, Cantá, Pacaraima e Caracaraí. Também estão previstos novos poços em Rorainópolis e Caroebe
A Sesau (Secretaria de Saúde) prepara a rede de saúde para atender possíveis casos de desidratação, doenças respiratórias e outros problemas associados à estiagem. Já o Iater (Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural de Roraima) orienta agricultores familiares e indígenas sobre medidas para reduzir os prejuízos à produção

