
O Governo de Roraima concluiu, nesta sexta-feira, 25, a primeira etapa da formação de equipes que atuarão no atendimento socioassistencial ao povo Yanomami. Durante três dias, 61 profissionais participaram de atividades sobre diversidade cultural, direitos humanos e indígenas e as especificidades que devem ser consideradas na oferta de serviços e benefícios no território.
O treinamento é promovido pela Setrabes (Secretaria do Trabalho e Bem-Estar Social), em parceria com a UFRR (Universidade Federal de Roraima) e Uerr (Universidade Estadual de Roraima). Inicialmente destinada para a equipe técnica e os educadores sociais que atuarão no atendimento, a iniciativa foi ampliada para profissionais de Boa Vista e Iracema, além do CAICYY (Centro de Atendimento Integrado às Crianças Yanomami e Ye’kwana) e do CREDHYY (Centro de Referência em Direitos Humanos Yanomami e Ye’kwana), instituições que já desenvolvem trabalho junto aos povos indígenas.

A preparação antecede o trabalho das equipes no território, especialmente no Vale do Ajarani. A atuação terá início com o diagnóstico das famílias, etapa que permitirá identificar as necessidades de cada comunidade e, a partir dessas informações, orientar a oferta de serviços, benefícios e demais ações da assistência social.
Para a secretária da Setrabes, Célia Mota, a formação busca garantir que a atuação das equipes considere as particularidades de cada comunidade.
“Não podemos chegar ao território com um modelo pronto de atendimento. As equipes precisam estar preparadas para compreender a realidade das famílias, respeitar as diferenças culturais e, a partir desse conhecimento, identificar de que forma a assistência social pode atender às necessidades de cada comunidade”, destacou.
A coordenadora estadual da CGTEP/SUAS (Gestão do Trabalho e Educação Permanente do SUAS) da Setrabes, Luciana Freitas, explica que a atuação das equipes será precedida por planejamento e pelo cumprimento dos protocolos necessários para ingresso no território.

“Primeiro, a equipe precisa fazer o planejamento e seguir todo o protocolo para entrar em área Yanomami. A partir daí, vamos realizar um diagnóstico para conhecer o território e as necessidades das famílias. Não vamos chegar levando serviços e benefícios de forma direta. É a partir desse diagnóstico que vamos identificar as demandas, orientar sobre o acesso aos direitos e fazer as articulações necessárias para que essas famílias sejam atendidas”, explicou.
Segundo o professor do curso de Antropologia da UFRR Pablo Albernaz, há diferenças linguísticas, culturais e na própria relação das comunidades com os serviços socioassistenciais.
“A gente fala Yanomami e parece que é uma coisa só, mas existem muitos povos diferentes, muitas línguas diferentes e modos diferentes de pensar o acesso à rede da assistência social. A importância dessa capacitação é justamente entender que os Yanomami têm muitas diferenças e que existem modos diferentes de qualificar esse acesso”, afirmou.
Experiência e formação
Entre os participantes está Daiane de Azevedo, coordenadora da equipe de proteção social às comunidades da Terra Indígena Yanomami da Setrabes. Ela já atuou no território durante uma intervenção do Médicos Sem Fronteiras em Roraima, em ações relacionadas principalmente à malária e à desnutrição infantil.
“É uma educação continuada, uma fortificação do conhecimento e a perpetuação dele. Temos muitos desafios pela frente, mas o conhecimento é sempre válido para cada dia, para cada experiência, e também existe a troca de saberes com outros colegas e com os municípios”, afirmou.

