Investigado por estelionato com 58 registros policiais por golpes e fraudes é preso em Boa Vista

K.J.J.P.S.C., de 36 anos, se apresentava falsamente como contador e aplicava goles contra várias pessoas; ele foi localizado no bairro Senador Hélio Campos. – Foto: Ascom | PCRR

A PCRR (Polícia Civil de Roraima), por meio do 4º DP (Distrito Policial), cumpriu nesta segunda-feira, 8, um mandado de prisão preventiva contra K.J.J.P.S.C., de 36 anos, investigado pela prática de estelionato, apropriação indébita e outros crimes patrimoniais. A prisão ocorreu em uma residência localizada no bairro Senador Hélio Campos, zona Oeste de Boa Vista. A medida foi decretada pela Justiça após representação do delegado responsável pelo caso, diante dos elementos reunidos durante a investigação e do histórico criminal do suspeito.

De acordo com informações prestadas pelo delegado titular do 4º Distrito Policial, Jonathan Henrique Sedlacek Freese, a prisão é resultado de uma investigação iniciada após a denúncia de um comerciante da capital que relatou ter sido vítima de um golpe praticado por um homem que se apresentava falsamente como contador. A partir do registro da ocorrência, policiais civis realizaram diligências, oitivas, análise de documentos, cruzamento de informações, levantamento de antecedentes e coleta de provas que permitiram identificar o modo de atuação do investigado e reunir elementos para subsidiar o pedido de prisão preventiva.

A ocorrência foi registrada no dia 18 de fevereiro deste ano. Dois dias depois, a vítima retornou ao 4º Distrito Policial e apresentou comprovantes de transferências bancárias, áudios e conversas mantidas com o investigado, elementos que contribuíram para o avanço das diligências e para o aprofundamento da investigação conduzida pela equipe policial.

Segundo o delegado, as investigações apontaram que o suspeito se apresentava falsamente como contador para conquistar a confiança das vítimas e obter acesso a documentos pessoais, dados sensíveis e informações financeiras. Durante as diligências, os policiais civis constataram que ele não possuía a qualificação profissional que alegava exercer.

“Desde o início da investigação verificamos um padrão de atuação baseado na conquista da confiança das vítimas. A equipe reuniu documentos, comprovantes de transferências bancárias, conversas por aplicativos e outros elementos que demonstraram a materialidade dos fatos e a participação do investigado”, explicou Jonathan Freese.

Conforme a apuração, o investigado convenceu a vítima a entregar documentos pessoais sob a justificativa de prestar serviços contábeis e auxiliar na obtenção de crédito. Utilizando essas informações, ele teria providenciado um financiamento veicular em nome do comerciante e assumido a posse do automóvel, que posteriormente foi negociado com terceiros.

Além disso, a vítima realizou diversas transferências bancárias acreditando estar efetuando pagamentos relacionados a taxas e serviços legítimos. O prejuízo identificado ultrapassa R$ 7 mil em transferências realizadas diretamente ao investigado, além de um financiamento de 48 parcelas de aproximadamente R$ 1.817 cada.

Durante o aprofundamento das investigações, os policiais civis realizaram um levantamento detalhado dos antecedentes do suspeito. Segundo o delegado, consultas aos sistemas policiais revelaram um histórico que chamou a atenção da equipe investigativa.

“Estamos diante de um investigado que apresenta um histórico expressivo de reiteração criminosa. São 58 registros policiais desde 2018, a maioria relacionada a crimes patrimoniais. Esse levantamento demonstra uma sequência constante de ocorrências envolvendo estelionato, apropriação indébita e fraudes”, destacou.

Ainda conforme o delegado, a análise dos registros aponta uma média superior a sete ocorrências por ano, o equivalente a uma nova denúncia a cada aproximadamente 50 dias.

Somente nos anos de 2025 e 2026 foram identificados diversos procedimentos envolvendo crimes da mesma natureza. Apenas em 2026, o investigado já figura em quatro boletins de ocorrência, circunstância que reforçou os fundamentos apresentados para a decretação da prisão preventiva.

“O levantamento realizado pela equipe demonstrou um histórico extremamente preocupante. São 58 registros policiais desde 2018 e, somente neste ano, já identificamos quatro boletins de ocorrência relacionados ao investigado. Os elementos reunidos ao longo da investigação demonstram uma atuação reiterada e justificaram a necessidade da prisão preventiva”, afirmou o delegado.

Segundo Jonathan Freese, o padrão de atuação identificado ao longo das investigações indica que outras pessoas podem ter sido vítimas do mesmo esquema criminoso.

As diligências continuam com o objetivo de identificar outras possíveis vítimas, dimensionar os prejuízos causados e apurar a eventual participação do investigado em outros fatos semelhantes registrados na capital.
Após ser localizado e preso, o suspeito foi conduzido à unidade policial para os procedimentos legais e será apresentado nesta terça-feira, dia 09, na audiência de custódia.

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