Projeto “Capoeira é Vida” consolida a modalidade como ferramenta de inclusão e resistência na fronteira

Com o apoio decisivo da Prefeitura de Pacaraima, iniciativa liderada pelo Contramestre Carlos Eduardo e Professor Marcos Gonçalves atende 50 alunos e vira referência cultural em Roraima. – Fotos: Divulgação

O projeto social “Capoeira é Vida” consolidou-se como a principal ferramenta de inclusão e resgate cultural na fronteira entre o Brasil e a Venezuela ao oferecer aulas gratuitas para 50 alunos em Pacaraima (RR). Liderada pelo Contramestre Carlos Eduardo Alves de Souza e pelo Professor Marcos Gonçalves dos Santos, a iniciativa expandiu suas atividades para comunidades indígenas locais e projeta dobrar sua capacidade de atendimento ao estabelecer a meta de atingir a marca histórica de 100 alunos integrados até o fim de 2026.

Inspirada nos fundamentos do Mestre Bahia (Antônio de Jesus Santos) presidente do Centro Cultural Arte e Capoeira da Amazônia, a iniciativa nasceu em abril de 2019. O projeto expandiu o trabalho iniciado por Carlos Eduardo em 2009 na cidade de Santa Elena de Uairén, na Venezuela. Ao migrar para o Brasil, as aulas começaram de forma despretensiosa em escolas municipais de Pacaraima. Um dos grandes diferenciais da iniciativa foi o acolhimento de muitas crianças estrangeiras nos anos de crise migratória intensa, atuando diretamente para incluir os alunos venezuelanos de fato na sociedade local através do esporte.

A consolidação do projeto é fruto do apoio estratégico da Prefeitura de Pacaraima, através da Secretaria de Educação, Cultura e Desporto. O olhar atento do prefeito Waldery D’Avila Sampaio e da primeira-dama Lira Ferreira tirou a modalidade de um momento crítico, culminando na aprovação da Lei Municipal nº 423/2025, que insere a capoeira na rede pública de ensino. Esse suporte impulsionou o rendimento técnico e garantiu que, no 1º Campeonato Interno em Boa Vista, uma delegação de 30 atletas de Pacaraima conquistasse expressivas 23 medalhas (13 de ouro, 6 de prata e 5 de bronze).

O reflexo dessa transformação é sentido diariamente por quem comanda as atividades na ponta. O Professor Marcos Gonçalves faz questão de destacar o impacto da modalidade na juventude da fronteira através de sua própria história: “Um dia a capoeira transformou minha vida, e hoje eu a uso para transformar a vida de crianças e adolescentes. Isso é a corrente do bem e da continuidade da capoeira”, declarou o educador. A ação também atende de forma descentralizada as comunidades indígenas de Ouro Preto e Nova Morada, englobando um grande número de alunos indígenas que encontram no projeto uma ponte facilitadora para sua integração social.

Para 2026, as metas se multiplicaram em grandes eventos de formação técnica e fomento à cultura na fronteira. O principal destaque será o “Festival da Capoeira Resistência e Ancestralidade”, financiado pela Política Nacional Aldir Blanc. Também estão programados cursos sobre as sequências de Mestre Bimba e capacitações sobre a nova lei municipal de ensino. O calendário oficial inclui ainda uma grande roda festiva no dia 1º de setembro e a participação dos alunos no tradicional Batizado e Troca de Cordéis em Boa Vista, nos dias 16 e 17 de outubro.

Para participar das atividades, os interessados devem procurar a secretaria do Centro Educacional de Cultura e Desporto, localizado na Rua Júlia Moreira de Albuquerque, nº 241, na Vila Velha, e realizar a inscrição gratuita. Sob a liderança do Contramestre Carlos Eduardo, que é historiador e professor efetivo da rede municipal, e do Professor Marcos Gonçalves, reconhecido por seu profundo entendimento da musicalidade da capoeira , o grupo segue à risca o lema de lealdade, honra e respeito à ancestralidade acima de tudo. O respaldo governamental assegura a proteção e a salvaguarda dessa herança que é patrimônio brasileiro, gerando novas oportunidades esportivas, incluindo jovens em vulnerabilidade e transformando de forma definitiva a realidade educacional e social de dezenas de famílias roraimenses na região de fronteira.

João Paulo Oliveira

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