
A Caravana da Proteção realizou nesta sexta-feira, 14, ações de prevenção à violência contra crianças e adolescentes na comunidade indígena Moscow, em Bonfim. A iniciativa foi realizada na Escola Estadual Indígena Tuxaua Cícero da Silva Pereira e reuniu estudantes, professores e servidores em atividades de orientação e capacitação.
Para crianças e adolescentes, a programação abordou o reconhecimento de situações de violência, os direitos previstos na legislação e os caminhos para buscar ajuda. Professores e servidores participaram de oficinas sobre identificação de sinais de possíveis situações de violência, escuta adequada e encaminhamento aos órgãos responsáveis.

A ação é desenvolvida pelo do DPSE (Departamento de Proteção Social Especial), da Setrabes (Secretaria do Trabalho e Bem-Estar Social), dentro do Projeto Mosaico. Criado em 2024, o projeto já alcançou mais de 8.500 pessoas nos 15 municípios de Roraima, com atividades em mais de 40 comunidades indígenas.
Para a secretária do Trabalho e Bem-Estar Social, Célia Mota, a atuação nas comunidades indígenas amplia o alcance das políticas de proteção do Governo do Estado e fortalece o trabalho desenvolvido nessas localidades.
“Quando levamos uma ação como essa para uma comunidade indígena, não estamos apenas levando informação. Estamos preparando professores e profissionais que convivem diariamente com essas crianças e adolescentes para reconhecer possíveis situações de violência e saber como agir”, destacou a secretária.

Para o coordenador Estadual de Proteção Social Especial, Aminadabi dos Santos Silva, a aproximação com as comunidades contribui para a prevenção e para a identificação de situações de violência.
“Um dos maiores males da violência é o silêncio. Em muitos casos, a criança não sabe para quem denunciar e é participando de uma roda de conversa como essa, vendo uma autoridade falar, que ela ganha confiança e quebra o silêncio”, explicou o coordenador.
Uma das professoras que participou das oficinas, Maria de Lourdes, destacou a importância de conhecer os serviços que integram a Rede de Proteção.
“Eu aprendi que não estamos sós. Existem pessoas com quem podemos contar, e isso nos fortalece. Isso é importante não só para nós, enquanto alunos e professores, mas também como comunidade em geral”, afirmou a professora.
Atuação integrada
A programação também incluiu orientações sobre a Lei da Escuta Protegida e informações sobre os serviços do CAI 18 de Maio (Centro de Atendimento Integrado 18 de Maio), unidade da Setrabes que atende crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência sexual.
Participaram da ação representantes da PRF (Polícia Rodoviária Federal), Polícia Civil, Polícia Militar, Poder Judiciário, Conselho Tutelar, CSE (Centro Socioeducativo), Projeto Mosaico e CAI 18 de Maio.
Para o delegado de Bonfim, Juliano Bruno, a informação sobre os canais de denúncia e os procedimentos de atendimento precisa chegar às comunidades. “Precisamos que a informação chegue até a delegacia, seja por meio das lideranças indígenas, professores ou Conselho Tutelar. A partir do registro do boletim de ocorrência, a Polícia Civil instaura o procedimento para apuração do caso”, afirmou.

A integração entre as instituições permite orientar estudantes, professores, famílias e demais integrantes da comunidade sobre como reconhecer situações de violência e acionar os serviços responsáveis pelo atendimento.
Para Sergino da Silva, aluno do terceiro ano do ensino médio, a atividade reforçou a importância de buscar ajuda diante de situações de violência. “Em caso de crimes, a gente não deve ter medo de procurar ajuda, procurar as pessoas em quem temos confiança para levar as pessoas más à Justiça”, comentou.

