
Boa Vista, capital de Roraima, figura entre as cidades brasileiras com melhor desempenho nos serviços de saneamento básico, especialmente no que diz respeito à coleta e ao tratamento de esgoto, segundo o Ranking do Saneamento 2026, divulgado pelo Instituto Trata Brasil, no dia 18 de março.
De acordo com o levantamento, Boa Vista está classificada em 41º lugar entre os 100 maiores municípios do país que tratam mais de 100% do esgoto coletado, subindo seis pontos no ranking e se igualando a capitais como Goiânia, São Paulo, Curitiba e Brasília.
O ranking avalia os sistemas de abastecimento de água, coleta e tratamento de esgotos, investimentos em saneamento básico e perdas de água dos 100 municípios mais populosos do país, conforme estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e é estruturado em três dimensões: Nível de Atendimento, Melhoria do Atendimento e Nível de Eficiência.
Além disso, Boa Vista também integra o grupo seleto de capitais que possuem níveis superiores a 80% no tratamento de esgoto, um dos principais desafios do saneamento no Brasil. O dado reforça a eficiência do sistema local já que o tratamento adequado é essencial para preservação ambiental e para saúde pública.
Esse resultado destaca a atuação da Companhia de Águas e Esgotos de Roraima (Caer) na prestação do serviço, elevando a capital roraimense a posição de destaque, principalmente quando comparada a outras capitais do país, onde os índices ainda são considerados baixos.

Para o presidente da Companhia, James Serrador, os números refletem um trabalho contínuo de investimento e gestão no setor.
“Esse resultado demonstra o compromisso da Caer com a melhoria dos serviços de saneamento em Roraima. Temos avançado de forma consistente, com planejamento, investimentos de cerca de três milhões em equipamentos e foco na qualidade do atendimento à população. Estar entre as capitais com melhores índices do país é motivo de reconhecimento, mas também de responsabilidade para continuar evoluindo”, destacou.
Apesar dos avanços, o cenário nacional ainda é marcado por desigualdades. O estudo aponta que muitas cidades brasileiras enfrentam dificuldades para universalizar os serviços, especialmente, no tratamento de esgoto, considerado o ponto mais crítico do setor.
Em algumas capitais da região Norte, por exemplo, os índices de atendimento no tratamento total de esgoto junto à população estão abaixo de 50%, evidenciando disparidades regionais significativas, caso de Manaus (AM), com 22,78%; Macapá (AP), 23,82%; Belém (PA), com 24,95%, Rio Branco (AC), 44,53% e Porto Velho (RO), com 19,72%.
O que não é o caso da capital de Roraima, que apresenta um valor de 107,90% decorrente de volume de esgoto bruto exportado para tratamento zerado, e um volume de esgoto tratado superior ao volume de água consumida, o que lhe atribuiu nota 10 e classificação em segundo lugar dos municípios da região Norte, superando Manaus, Ananindeua, Macapá, Belém (PA), Parauapebas (PA), Rio Branco, Porto Velho e Santarém (PA), listados entre os 100 mais populosos do país.
Tratamento de esgoto
Atualmente, o sistema de coleta de esgoto conta 44 estações elevatórias, três lagoas de estabilização, cerca de 45 mil poços de visita (PV) e mais de 1 milhão de metros de rede coletora, atendendo 76.857 residências.
Em 2008, Boa Vista contava apenas com 259 km de rede de esgoto e 6.267 ligações domiciliares. Em setembro de 2020, foi entregue a quarta etapa da rede de esgotamento sanitário, beneficiando milhares de moradores.
A quarta etapa da obra, orçada em R$ 135 milhões, foi realizada via convênio com o Ministério das Cidades. No mês de dezembro de 2025, Boa Vista recebeu um investimento de R$ 2 milhões nos serviços de coleta com a aquisição novas bombas serão responsáveis por receber os resíduos de todo o sistema de coleta de esgoto da cidade. E o Governo de Roraima já estuda a apresentação do projeto da 6ª etapa, que permitirá alcançar 100% de cobertura da rede de esgoto na capital.
Combate às perdas na distribuição de água
Outro desafio identificado pelo ranking é o alto índice de perdas de água na distribuição, que ainda se mantém levado em todo país refletindo a necessidade de investimentos contínuos e melhoria na gestão dos sistemas, com indicador de 39,5%.
Com 123.921 ligações ativas na capital, sendo 72.202 imóveis cadastrados com hidrômetro e 23.082 sem o equipamento, a Caer supera 59 municípios, o combate a perdas de água tratada no sistema de distribuição é uma das principais frentes de atuação da empresa, que investiu na aquisição de mais de 65 mil hidrômetros nos últimos sete anos.
Conforme o ranking, estima-se que em 2025, a Caer teve média de 57,75% em perdas de água, índice que está diretamente relacionado à impossibilidade de medição do consumo, ou seja, inexistência de hidrômetros em muitas residências, o que está sendo combatido com fiscalização contínua e aquisição de hidrômetros, sendo que de março a junho de 2025, 4.657 hidrômetros foram instalados na capital.
Ranking
O estudo destaca também que o avanço no saneamento está diretamente ligada ao volume de investimentos e a qualidade da gestão municípios com menores indicadores tendem a manter políticas consistentes de planejamento e aplicação de recursos enquanto localidades com menor desempenho enfrentam dificuldades estruturais para alcançar as metas de universalização até 2033.
Neste contexto Boa Vista surgiu como exemplo positivo dentro da região norte demonstrando que é possível avançar nos indicadores de saneamento por meio de planejamento investimento e gestão eficiente dos serviços, com atendimento com rede de água de 96,97%, enquanto a média nacional é de cerca de 92%; tratamento de esgoto de 107,90%, perdas na distribuição de 57,75% e investimento médio por pessoa: R$ 43,40.
O ranking reforça a importância de manter o saneamento como prioridade nas políticas públicas considerando seus impactos diretos na saúde e qualidade de vida da população e o desenvolvimento econômico das cidades.




