Segurança Pública: Atlas da Violência aponta redução na taxa de homicídios em Roraima

Estado registrou queda de 22,8% na taxa entre 2023 e 2024, segundo levantamento do Ipea e Fórum Brasileiro de Segurança Pública. – Fotos: Ascom | PCRR 

Roraima registrou redução de 22,8% na taxa de homicídios entre 2023 e 2024, segundo dados do Atlas da Violência 2026, elaborado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e pelo FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública). O índice passou de 36 para 27,8 homicídios por 100 mil habitantes no período.

O levantamento também aponta queda na taxa estimada de homicídios no Estado. Entre 2023 e 2024, a redução foi de 16,5%. Já na comparação entre 2019 e 2024, a queda chegou a 39,3%. A estimativa considera possíveis homicídios que não foram classificados originalmente como mortes violentas intencionais.

Os dados do Atlas são acompanhados pelo Governo de Roraima, que observa indicadores oficiais para ações institucionais e a criação políticas públicas em âmbito estadual. Na área da segurança pública, a PCRR (Polícia Civil de Roraima) desenvolve trabalhos na apuração de crimes violentos, identificação de suspeitos, produção de provas e cumprimento de medidas judiciais.

“Para a Polícia Civil, essa redução significa um trabalho firme, com muita técnica, buscando principalmente a capacitação dos servidores, a valorização da equipe e a construção e utilização de metodologias próprias voltadas para a investigação do crime de homicídio”, declarou a delegada-geral Simone Arruda.

Delegada-geral Simone Arruda.

Investigação e cumprimento de mandados

Dados da DGH (Delegacia Geral de Homicídios) mostram que foram cumpridos 16 mandados de prisão e 29 de busca e apreensão em 2024. Em 2025, foram 34 mandados de prisão e 74 de busca e apreensão. Já em 2026, até agosto, foram cumpridos 34 mandados de prisão e 54 de busca e apreensão.

No mesmo período, a unidade contabilizou 95 homicídios em 2024, 104 em 2025 e 63 em 2026, até agosto. Os números integram o acompanhamento realizado pela DGH e subsidiam as investigações e a adoção das medidas judiciais necessárias.

A DGH mantém equipe de plantão 24 horas para realizar as primeiras diligências em ocorrências como homicídios, feminicídios e latrocínios. A atuação inclui levantamento de informações, preservação do local, coleta de vestígios e trabalho conjunto com as equipes de perícia.

Delegado da DGH, Thiago Alexandre.

Segundo o delegado da DGH, Thiago Alexandre, quando não é possível realizar uma prisão em flagrante, a investigação prossegue com a análise dos elementos reunidos no local do crime e das provas técnicas, em integração com o Ministério Público e o Poder Judiciário.

“As diligências iniciais são fundamentais para identificar o suposto autor e, principalmente, para produzir provas técnicas e robustas”, disse.

A atuação também é integrada com unidades especializadas, como a DRE (Delegacia de Repressão ao Entorpecente) e a Draco (Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas), principalmente em casos com indícios de participação de organizações criminosas. As investigações podem resultar em bloqueios de ativos e apreensões de veículos, drogas e armas de fogo.

Diretora do DHPP, Miriam Di Manso.

Análise de dados e tecnologia

No DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), DGH e Draco atuam de forma complementar. Enquanto a DGH concentra a investigação dos crimes violentos letais, consumados e tentados, a Draco atua na apuração relacionada às organizações criminosas.

De acordo com a diretora do DHPP, Miriam Di Manso, o cruzamento dos indicadores de homicídios com informações sobre a atuação de grupos criminosos permite identificar padrões e características dos crimes.

“Os indicadores são um incentivo para a continuidade do trabalho que a Polícia Civil vem realizando. Eles nos permitem estudar o fenômeno dos homicídios, entender como os crimes acontecem e, a partir de uma investigação qualificada, identificar a motivação e verificar se o autor está inserido em uma estrutura criminosa”, afirmou.

A qualificação das equipes também faz parte desse processo. Servidores da DGH participam de capacitações com foco em técnicas de investigação e coleta de provas. Nos últimos três meses, uma força-tarefa movimentou mais de 300 inquéritos policiais, dos quais mais de 120 foram finalizados, conforme dados apresentados pela unidade.

A Criminalística também passou a utilizar recursos tecnológicos para ampliar a análise de vestígios. O banco de dados balístico permite relacionar ocorrências a partir das características das armas e dos materiais encontrados durante os exames periciais. Neste ano, a ferramenta relacionou cinco homicídios praticados por integrantes de organização criminosa ao uso da mesma arma de fogo.

A Polícia Civil utiliza trabalha com sistema integrado de coleta, registro e armazenamento de informações e dados entre unidades e auxiliando na identificação de possíveis vínculos entre crimes e investigados.

Boa Vista

Na capital, o Atlas também registrou redução. Boa Vista apresentou taxa estimada de 20,4 homicídios por 100 mil habitantes em 2024, uma queda de 36,1% em relação ao ano anterior e de 53,4% na comparação com 2019. O índice ficou abaixo da média registrada entre as capitais brasileiras, de 26,6 homicídios por 100 mil habitantes.

O Atlas ressalta a necessidade de cautela na interpretação dos dados em razão das MVCI (Mortes Violentas por Causa Indeterminada). Por esse motivo, o levantamento apresenta também estimativas de homicídios e considera situações que podem não ter sido inicialmente classificadas na categoria.

Sandra Lima

Veja também

Topo