Símbolo nacional: instalação do Banco Vermelho em Boa Vista representa luta contra feminicídio

Em Roraima, projeto é coordenado pelo Instituto A Moda é Viver e deve alcançar cinco municípios estratégicos. – Fotos: Divulgação

A recente inauguração do Banco Vermelho em Boa Vista representa mais um apoio na mobilização de combate ao feminicídio em Roraima. O projeto é um movimento nacional que busca sensibilizar a população sobre os crimes conta a mulher.

A iniciativa foi trazida ao estado pelo Instituto A Moda é Viver (IAMV), fundado por Alda Araújo, e viabilizada por meio de emenda parlamentar do ex-senador Mecias de Jesus. A ação foi realizada em parceria estratégica entre o Instituto, a Câmara Municipal de Boa Vista (CMBV) e a Procuradoria Municipal da Mulher.

O primeiro banco foi instalado no dia 28 de maio, em frente à Câmara Municipal da capital. Ao todo, o estado receberá cinco Bancos Vermelhos. Os demais serão fixados em diferentes municípios estratégicos do interior do estado nos próximos meses, capilarizando a mensagem de urgência no combate à violência de gênero.

Solenidade reúne rede de proteção à mulher

O ato de inauguração reuniu lideranças políticas e as forças de segurança que atuam na defesa dos direitos das mulheres no estado. Estiveram presentes o presidente da CMBV, vereador Genilson Costa; a vereadora e Procuradora Especial da Mulher da CMBV (Pró-Mulher), Pastora Carla Demétrio; e a fundadora do Instituto A Moda é Viver, Alda Araújo. Representando o ex-senador Mecias de Jesus, compareceu a sua esposa, Darbilene de Jesus.

A força institucional do evento foi reforçada pela presença da Comandante Geral da Polícia Militar de Roraima, Coronel Valdeane Alves de Oliveira; da delegada titular da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), Kássia Regina; da representante da Casa da Mulher Brasileira, Graça Policarpo; e da vice-presidente da OAB Roraima, Nathália Leitão.

O propósito do projeto

Para a fundadora do Instituto A Moda é Viver, Alda Araújo, a instalação do banco carrega uma missão que vai muito além da estética urbana. Ela destaca que o monumento foi pensado para salvar vidas através da informação.

“O Banco Vermelho não é apenas um lugar para sentar-se, ele é um grito silencioso no meio da cidade e nasce para homenagear as mulheres que, tragicamente, tiveram suas vozes caladas pelo feminicídio, mas também para estender a mão àquelas que estão sofrendo violência hoje. Queremos que, ao olhar para este banco na calçada, cada mulher saiba que ela não está sozinha e que existem caminhos e canais para buscar ajuda e romper o ciclo de abusos”, pontuou Alda Araújo.

O Instituto A Moda é Viver é uma organização social sem fins lucrativos fundada em Caracaraí, Roraima, que atua há vários anos desenvolvendo ações sociais, culturais e educativas voltadas principalmente para crianças, adolescentes e famílias em situação de vulnerabilidade social.

A instituição também realiza campanhas de conscientização e projetos voltados à valorização da vida, prevenção à violência e fortalecimento da cidadania em diferentes municípios do estado.

O simbolismo e o enfrentamento necessário

Pintado em vermelho, o monumento carrega frases de impacto e informações diretas sobre os canais de denúncia, como o Ligue 180. O objetivo é homenagear as vítimas, provocar a reflexão diária da sociedade e acolher mulheres que possam estar sofrendo em silêncio.

A chegada do projeto a Roraima acontece em um momento crucial, dado o histórico alarmante do estado nos índices nacionais de violência doméstica proporcional.

Para as autoridades presentes, a união entre o terceiro setor, o poder legislativo e as forças policiais demonstra que o combate à violência contra a mulher exige uma articulação coletiva, transformando o espaço público em um lembrete diário de que nenhuma agressão deve ser tolerada.

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