Soldado Sampaio explica motivações para rompimento político com governador Antonio Denarium

Falta de cumprimento de acordos políticos e intimidações estão entre motivos que, segundo Sampaio, decorrem há meses. – Fotos: Marley Lima/ Nonato Sousa / SupCom ALE-RR

O presidente da Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR), deputado Soldado Sampaio (Republicanos), esclareceu na tribuna durante a sessão desta terça-feira, 9, as principais motivações que o levaram a romper politicamente com o governador Antonio Denarium (Progressistas).

Sampaio destacou que o rompimento ocorreu como deputado, não como presidente do Poder Legislativo, e tranquilizou a todos sobre a continuidade do atendimento das demandas da população pela ALE-RR. “É dever nosso preservar as relações institucionais pelo bem da sociedade de Roraima, que está acima de nós”.

Ele relembrou o início da relação com o atual governo desde o primeiro mandato de Denarium, quando o Estado passava por diversos problemas financeiros e estruturais, e disse não haver arrependimento de tudo que foi feito em parceria com o Executivo. “Naquele momento, fomos chamados para o desafio de reorganizar o Estado e darmos tranquilidade política ao governador”, complementou.

Soldado Sampaio usou seu tempo de tribuna para esclarecer fatos sobre rompimento com governador.

Sampaio aproveitou para exaltar os benefícios da união com o governo direcionados à população, como a aprovação de projetos de lei importantes, a exemplo da regulamentação fundiária, Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE), Planos de Cargos, Carreiras e Remuneração (PCCR) de algumas categorias, entre outras normas. Segundo ele, “tudo o que foi necessário para o desenvolvimento do Estado, foi feito de coração”. O presidente da ALE-RR ressaltou ainda que se orgulha em saber que fez parte desse processo e não deixará de reconhecer as boas ações futuras do governo.

Quebra de acordos, interferências nos trabalhos da Assembleia Legislativa e rompimento de alianças para as eleições municipais deste ano, motivaram Sampaio a repensar a parceria. Ainda segundo ele, há algum tempo o governador deixou de dialogar com o Legislativo.

“Esse processo vem incomodando e não é de agora. Desde janeiro, pouco apareci ao lado dele, em uma ou outra solenidade, assim como foram poucos os despachos, além de não concordar com a forma de governar”, salientou Sampaio ao justificar o rompimento político.

Para ele, a forma de governar de Antonio Denarium não tem agradado a vários parlamentares, principalmente quando se trata de liberação de emendas individuais feitas a “conta-gotas”.

“Vem a comunicação com um texto forçado a falar bem do governo. Eu vi colegas constrangidos com esse comportamento, não funciona assim, acho que ele não entendeu a importância do parlamento. Isso foi se somando a outros fatos”, falou Sampaio.

Outro ponto apresentado por Soldado Sampaio relaciona-se à aprovação do projeto de lei que autoriza o governo do Estado a contrair um empréstimo de R$ 805 milhões. Conforme o presidente da ALE-RR, uma equipe do Executivo apresentou os detalhes da distribuição desses recursos na administração pública.

Para o deputado Armando Neto o Legislativo precisa ser independente.

A previsão para a saúde, recordou Sampaio, era de R$ 110 milhões e R$ 30 milhões para a agricultura familiar. Contudo, os parlamentares foram pegos de surpresa com publicações de abertura de crédito suplementar em que os valores estariam diferentes. Ele diz que para a saúde foram destinados R$ 20 milhões e para a agricultura não havia nenhuma previsão.

“Zerou. Isso é uma ofensa, parece que não há carinho, zelo pela agricultura familiar”, afirmou, acrescentando que protocolou um pedido de suspensão da abertura de crédito.

Intimidações por parte de servidores da segurança pública também foram citadas no discurso do deputado. Relatos de monitoramento a parlamentares foram questionados ao próprio governador na última semana. Sampaio pediu que Antonio Denarium esclareça a situação pessoalmente.

“Tratei essa demanda de forma republicana, chamamos o governador a esta Casa, o prazo dele é até esta quarta-feira [10] e a resposta não será uma coletiva de meia dúzia de secretários sem dizer nada com nada. Ele tem que dar satisfação concreta”, declarou.

Pleito

Com o rompimento anunciado, Sampaio declarou já ter conversado com a deputada Catarina Guerra, pré-candidata do grupo governista para as eleições municipais de 2024 por Boa Vista. “Tenho muito respeito pela minha amiga Catarina”.

Ele falou ainda sobre a dificuldade de Antonio Denarium em “construir” o Partido Progressistas em Roraima.

“É uma incompetência só. Apenas um deputado federal foi eleito e com meu apoio (…) Aliás, em 2020, elegeu o Gari para vereador, na sobra da sobra dos cálculos”, exemplificou. “O governador não tem capacidade de liderar, mas é isso, vida que segue.”

Em aparte, o parlamentar Renato Silva ressaltou o apoio da ALE-RR na recuperação financeira de Roraima

Para 2024, após conversar com o atual presidente do Republicanos em Roraima, senador Mecias de Jesus, Sampaio diz pretender “construir” o PDT sem afetar nenhum outro partido. Ele disse também que não vai induzir parlamentares a formarem oposição ao governo e que os posicionamentos serão decididos em grupo, tudo isso em nome da preservação das boas relações institucionais entre os Poderes. Com isso, afirma que continuará a fiscalização das políticas públicas para a construção de um orçamento saudável para o Estado.

“Estou muito tranquilo, tenho muitos amigos no governo que continuarão lá, muitos servidores que aprenderam a gostar de mim… Estou decidido, prego batido e seguiremos em frente. Desejo à equipe do governo toda a sorte e sucesso”, concluiu Soldado Sampaio.

Em aparte, os deputados Renato Silva (Podemos) e Armando Neto (PL) demonstraram apoio ao discurso de Soldado Sampaio. “A Assembleia foi muito importante na recuperação financeira de Roraima, não se faz orçamento sem a participação da ALE-RR. Colocar o crédito em uma pessoa só é desrespeitar a todos”, comentou Silva.

Neto aguarda a apresentação do chefe do Executivo. “Esperar o prazo devido para ampla defesa, lisura do processo legal, dar resposta a esta Casa e os Poderes não devem interferir. Seja qualquer medida, o governo tem que dar resposta à altura para a sociedade. O Legislativo tem que ter independência”.

Yasmin Guedes Esbell

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