
Roraima apresentou este mês o maior preço de referência do gás de cozinha no país, com valor de R$ 135,70 para o botijão de 13Kg, segundo atualização do governo federal usada no cálculo do Auxílio Gás. Na sede do município do Uiramutã, ao Norte do Estado, a mesma botija custa R$ 150, mas em algumas comunidades indígenas, o botijão de 13Kg sai até por R$ 180,00.
Comerciantes do município alegam que o alto custo do frete devido ao difícil acesso encarece o preço final do produto. Segundo eles, para não ter prejuízo é preciso repassar parte dessas despesas de transporte e logística para o consumidor.
“Pagamos um frete muito caro de Boa Vista a Uiramutã devido o difícil acesso, por isso temos que cobrar acima do valor de mercado. Se a gente praticar os mesmos valores da Capital, não ganhamos nada e ainda teremos que tirar do próprio bolso para o gás chegar ao município”, justificou um comerciante, que preferiu não se identificar.
Mas a alta no preço do gás de cozinha, independente de frete, acesso ou logística, acaba sobrando para a dona de casa. Uma moradora da sede, que também não quis se identificar, reclamou da alta nos preços e criticou a política econômica do atual governo.
“É um absurdo, um grande descaso principalmente com a população de baixa renda. Tudo aumentou de preço. Gás, energia elétrica, água, alimentação, remédios. Hoje não temos como viver com apenas o salário mínimo. Está ficando cada vez mais difícil. E sempre sobra para os mais pobres”, lamentou.
O aumento do preço do gás de cozinha (GLP – Gás Liquefeito de Petróleo) no Brasil é impulsionado por uma combinação de fatores internacionais, nacionais e custos operacionais, especialmente com o cenário registrado no início deste ano.
Especialista consultado pela reportagem aponta alguns dos principais motivos para a alta no preço do gás. O conflito no Oriente Médio e a cotação do Petróleo, por exemplo, impactam diretamente o preço do barril de petróleo tipo Brent, que serve de base para o custo do gás.
“Como o Brasil ainda importa parte do produto, qualquer alta internacional é rapidamente repassada para as distribuidoras e consequentemente para o consumidor final. Veja bem. A alta no preço do óleo diesel aumenta o custo de transporte e distribuição do gás das refinarias até os pontos de revenda, e isso eleva o preço na ponta final”, explicou.
O especialista observou também que a alíquota do ICMS sobre combustíveis e gás de cozinha sofreu reajustes em janeiro deste ano, elevando o custo fixo do botijão na maioria dos estados. Outro fator que pesa, de acordo com ele, é a valorização do dólar.
“Como a paridade de importação é atrelada ao mercado internacional, uma valorização do dólar frente ao real torna o gás importado mais caro. E a composição do preço final do produto é fortemente influenciada pelas margens de lucro adotadas pelas empresas de distribuição e revenda, que em momentos de alta de custos também aumentam seus valores”.
Região Norte
A Fogás e a Amazongás dominam o mercado de gás de cozinha, mas vendem o produto mais caro do país, segundo dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo). Em Roraima, atendido pelas duas companhias, o botijão de 13Kg varia entre R$ 135 e R$ 150.
De acordo com a Petrobras, na região Norte, enquanto um botijão de 13 Kg custa, em média, R$ 125,71, o preço médio no Brasil é de R$ 110,38. Os estados de Roraima (R$ 140,04) e Tocantins (R$ 128,62) registraram os maiores preços. As menores médias foram observadas no Rio de Janeiro (R$ 98,93) e em Pernambuco (R$ 99,03).

