Apoio Imediato: União reconhece emergência em seis municípios e operação supera 14 mil pessoas assistidas em Roraima

Com rio Branco de volta à cota normal em Boa Vista, Governo do Estado encaminha 600 cestas a Rorainópolis nesta quarta, 17; resposta continua em municípios atingidos pelas chuvas. – Fotos: Fernando Oliveira

O Governo de Roraima mantém a resposta às chuvas em 12 municípios por meio da Operação Apoio Imediato, com avanços no atendimento às famílias. A assistência direta ultrapassou 14 mil pessoas, e o reconhecimento federal de situação de emergência alcançou seis municípios. Na altura de Boa Vista,o nível do rio Branco voltou à cota normal.

O boletim situacional de terça-feira (16) registrou 71 pontos críticos ativos, com 12 bloqueios totais e nove bloqueios parciais em vias de acesso, números que vêm se mantendo estáveis. Cerca de 38.131 pessoas foram atingidas, direta ou indiretamente.

Nesta quarta-feira, 17, 600 cestas básicas foram encaminhadas a Rorainópolis. O tenente-coronel Genival Vasconcelos, da Defesa Civil Estadual, detalhou a ação.

“No dia de hoje, logo cedo, foram encaminhadas 600 cestas básicas para as comunidades do município de Rorainópolis, que serão distribuídas pelas equipes do Corpo de Bombeiros, de acordo com o levantamento da prefeitura daquele município”, afirmou.

Reconhecimento federal alcança seis municípios

Onze dos 15 municípios de Roraima decretaram situação de emergência. Desses, seis já tiveram o reconhecimento federal: Bonfim, Uiramutã, São Luiz do Anauá, Alto Alegre, Mucajaí e Normandia.

Outros cinco seguem em análise: Amajari, Caracaraí, Caroebe, Iracema e Rorainópolis.

“Continuamos com 11 municípios com situação de emergência decretada, dos quais seis estão reconhecidos pela União e cinco estão em processo de reconhecimento. Os outros quatro municípios, mesmo com alguns impactos das chuvas, resolveram que não vão decretar emergência. Temos mais de 38 mil pessoas atingidas pelas fortes chuvas”, disse Vasconcelos.

O levantamento de danos é instruído no S2iD (Sistema Integrado de Informações sobre Desastres) para fins de reconhecimento federal. Segundo Vasconcelos, agora o Estado aguarda recursos da União.

“Em todos os municípios, nossas equipes estão fazendo o levantamento das necessidades e das estruturas, como rompimento de estradas, cabeceiras de pontes e acessos. Continuamos com o atendimento humanitário ao lado dos parceiros”, afirmou.

A operação conta com o apoio do Exército Brasileiro, sobretudo em Uiramutã, além das prefeituras, da Sepi (Secretaria dos Povos Indígenas), da Femarh (Fundação Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, da PMRR (Polícia Militar de Roraima) e da Setrabes (Secretaria do Trabalho em Bem-Estar Social).

“Estamos aguardando os recursos federais para o apoio mais imediato e urgente às famílias que têm mais necessidade de alimentação e de água potável”, completou Vasconcelos.

Comunidades isoladas

As ocorrências mais graves se concentram em Bonfim, Uiramutã e Pacaraima. Em Bonfim, a destruição da ponte na Vicinal Jacamim isolou cinco comunidades do Polo Base Jacamim. Em Uiramutã, parte das comunidades permanece sem acesso terrestre, com atendimento por aeronaves.

Em Pacaraima, nove comunidades da região do Médio São Marcos seguem sem acesso terrestre desde a queima de uma ponte em março, situação que atinge cerca de mil pessoas, segundo o boletim.

Balanço da assistência

Desde o início da operação, foram entregues 2.854 cestas básicas e 213 filtros ecológicos, além do transporte de 1.792 pessoas em áreas isoladas por meio de operações de baldeação. A estimativa é de que cerca de 14 mil pessoas já receberam assistência direta.

Para esta quarta, além das 600 cestas de Rorainópolis, estão previstas 100 em Iracema e 47 em Caracaraí, com rendição de equipes de campo. A Caer (Companhia de Águas e Esgotos de Roraima) disponibilizou 200 fardos de água potável para as comunidades atingidas.

Rios em queda e previsão de chuva

O nível do rio Branco em Boa Vista está em 5,49 metros, em cota normal e abaixo da máxima histórica do mês (10,28 metros). Em Caracaraí, o rio marca 7,74 metros, e o rio Cotingo, em Uiramutã, 2,70 metros, ambos em queda.

Vasconcelos ponderou que o recuo não encerra o período de risco. “O sol deu uma aparecida esses dias, mas ainda estamos no começo do inverno. Os níveis do rio Branco têm baixado, conforme o boletim meteorológico, mas ainda estamos na iminência de pancadas de chuva acima da média para os próximos três meses”, afirmou.

O aviso do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) para chuvas intensas, com grau de perigo potencial, vigorou até a noite de terça-feira, 16.

João Paulo Pires

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