
Os testes financeiros focam as entradas e saídas de dinheiro de um determinado empreendimento, como é o caso da geração de tecnologias. Eles precisam ser elaborados, testados e aperfeiçoados ao longo dos diferentes estágios de prototipagem, testes e retestes, ajustes e reajustes efetuados nos protótipos. Qualquer alteração no protótipo gera, como consequência, alteração no quadro de custeio e, por extensão, na lucratividade e rentabilidade possíveis da tecnologia. Os testes de custeio são mais conhecidos como métodos de custeio dentre os profissionais de gestão e finanças e representam diferentes maneiras de se aferir com relativa precisão o quanto determinada tecnologia consome de recursos financeiros para ser produzida e entregue aos seus clientes (usuários, consumidores e compradores). O custo de produção designa o total de gastos para que a tecnologia seja finalizada, esteja pronta para ser entregue aos clientes, enquanto o custo total é referente ao custo de produção mais todos os dispêndios posteriores (como transporte, impostos, comissões de vendas etc.), assim como os investimentos anteriores, pré-operacionais, que são adicionados para que retornem aos seus investidores.
Os testes de custeio são fundamentais para o sucesso de um empreendimento tecnológico por diversas razões. A primeira e mais saliente é a precificação. Geralmente os preços são definidos a partir da consideração dos custos fixos, custos variáveis e margens de contribuição, de maneira que essa margem só poderá ser estipulada se os testes de custeios apontarem com exatidão os custos fixos e os variáveis, que compõem a fórmula. Precificar não é apenas a definição de um valor numérico, mas um intervalo em que o preço ideal é o centro, apontando-se um limite inferior e outro superior, sobre cujo intervalo vão se dar muitas vezes os embates de negociação. A segunda é a própria gestão dos custos da tecnologia, que se dá através do planejamento, organização, direção e controle dos recursos (não apenas financeiros) para o alcance dos objetivos pretendidos com a geração tecnológica. A gestão dos custos permite controle e análise mais precisa de todos os custos da tecnologia, identificando-se os componentes de custos que mais consomem recursos (e todo recurso custa dinheiro, tem um custo) e permitindo a ação gerencial.
A análise da rentabilidade é outra fundamentalidade dos custos para a geração tecnológica. Etimológica e praticamente, esse termo designa o quanto de renda determinado investimento em tecnologia está gerando como resultado, como retorno. Quando se realizam os testes de custeio se tem a compreensão do grau de lucratividade da tecnologia, o que permite que os gestores possam avaliar se está em conformidade com o que foi planejado, auxiliando na tomada de decisões. A quarta e última fundamentalidade dos testes de custeio é a sustentação da tomada de decisão. Os testes fornecem aos gestores informações cruciais para a gestão dos recursos para a geração e produção da tecnologia (custo de produção e de entrega), sobre as quais são estruturados os planos orçamentários e financeiros e que redundam em sistemáticas de avaliação de desempenho do empreendimento tecnológico. Esses painéis de controle permitem o monitoramento financeiro de forma tal que decisões prévias a determinados eventos futuros podem ser tomadas.
Existem, basicamente, quatro tipos de testes (ou métodos) de custeio. O mais comum praticado é o chamado custeio por absorção. Nesta modalidade os custos são todos alocados a cada unidade da tecnologia para que cada uma absorva uma pequena fração do custo total. Este é o único método aceito pela legislação brasileira, tanto contábil quanto fiscal. Como os custos são rateados entre os produtos, se houver diferentes produtos tecnológicos certamente haverá distorções acerca do custo efetivo de cada unidade produzida.
Outro tipo de teste de custeio é o variável, também chamado de custeio direto. Neste procedimento há a separação dos custos variáveis, que mudam conforme o volume de produção, e os fixos, que são despesas comuns da instituição ou organização. Apenas os custos variáveis são considerados neste teste, fundamental para que se conheça o quanto cada unidade produzida efetivamente custa, o que permite tomadas de decisões mais precisas por parte dos gestores em relação aos componentes de custeio da tecnologia.
Um terceiro tipo de testes é conhecido como custeio baseado em atividades (também chamado de sistema ABC de custeio). Este sistema permite uma compreensão exata dos custos porque faz a alocação dos custos a partir das atividades realizadas para a produção da tecnologia. Diferente dos outros sistemas, que arbitram os valores dos custos, o ABC rastreia todos os recursos consumidos em cada atividade e distribui os custos entre os produtos que os consumiram. É feito em quatro etapas: 1) identificação das atividades, 2) alocação dos custos aos recursos e atividades, 3) identificação dos direcionadores de custos e 4) cálculo dos custos das tecnologias.
O quarto tipo de teste é o custeio padrão. Esta modalidade de custeio é uma estimativa, espécie de projeção e previsão através do qual se encontra um valor de referência, baseado, naturalmente, em estudos técnicos e de eficiência. Este valor encontrado subsidia o planejamento, controle e esquema de avaliação da produção da tecnologia e os gastos que se lhes são inerentes. Na verdade, essa modalidade funciona como uma forma de custo ideal ou meta tecnicamente estabelecida, que serve para comparar o que foi planejado com os custos reais que foram incorridos na produção. A partir dessa comparação é possível encontrar as fontes de desvios e suas causas, permitindo que os gestores decidam sobre a otimização dos processos e outras estratégias mais assertivas.
O conhecimento dos testes de custeio e suas fundamentalidades para a geração tecnológica tem o condão de mudar as percepções dos cientistas sobre o produto de seus trabalhos. A materialização da ideia (conceito) em artefato físico é algo muito importante, extraordinário, e que permite a melhoria contínua da vida humana associada. Mas a viabilidade efetiva, que leva ao sucesso da tecnologia, é dependente de questões financeiras cruciais, principalmente os custos.

(*) Daniel Nascimento-e-Silva, PhD, Professor e Pesquisador do Instituto Federal do Amazonas (IFAM)