
A economia parece ser uma das dimensões da vida humana associada extremamente ambígua. A imprecisão tende a ser uma das características mais presentes nos discursos daqueles que poucos conhecimentos têm sobre economia, quase sempre com a intenção de abarcar todos os espectros de acontecimentos de um determinado território que influenciam sobre aquilo de que falam, como os desafios de uma empresa ou de um município ou até mesmo de blocos econômicos. Na verdade, quando falamos de economia estamos nos referindo a dois agregados de atores em que, de um lado, há pessoas e organizações que desejam e querem comprar alguma coisa e, de outro, também pessoas e organizações que têm legalmente a posse de determinado produto ou serviço e desejam efetivamente vendê-lo, tudo isso em um espaço geográfico ou virtual. Note-se, portanto, que nada há de abstração no que os profissionais de negócios falam de economia. E é dentro desta concepção que os testes econômicos relativos a uma tecnologia se conformam, mas com focos bem determinados que permitam à equipe de criação tecnológica e seus gestores a tomada de decisão mais adequada para os investimentos que pretendem fazer, dado que a geração de tecnologia é uma decisão desse tipo.
A primeira coisa que é necessário que se entenda é que os testes econômicos precisam permitir a tomada de decisão sobre três aspectos fundamentais de todo investimento. O primeiro é a escolha da tecnologia que será alvo do investimento, em conformidade com estudo prévio de mercado, através do qual são obtidas as informações sobre o conceito, benefícios a serem entregues, tamanho da demanda atual e projeção para a demanda futura de longo prazo, faixa de preço que a demanda está disposta a pagar pela tecnologia e frequência de demanda periódica. O segundo aspecto às alternativas gerenciais do investimento a ser feito de forma a torná-lo mais eficiente, em conformidade com um plano de desembolso atrelado ao cronograma de desenvolvimento do protótipo e sua transformação em tecnologia. E o terceiro é a definição das estratégias a serem seguidas para que os objetivos de investimentos sejam alcançados, que subsidiarão o cronograma de desenvolvimento e os relacionamentos com os fornecedores e clientes.
A previsão de cenários é a segunda coisa que os testes econômicos precisam dar conta. Novamente aqui entram em cena as possibilidades de mudanças no comportamento dos atores de demanda, fornecedores e concorrentes que possam afetar significativamente os objetivos de investimentos definidos pela equipe de criação tecnológica e seus gestores organizacionais. É preciso mapear, também, as condições políticas, sociais, tecnológicas, demográficas, legais e ambientais que possam afetar a demanda pela tecnologia a ser gerada quanto a oferta de tecnologias concorrentes ou substitutas nos médio e longo prazos, assim como as consequentes mudanças nas estratégias e planos de desenvolvimento do protótipo.
O terceiro é a necessidade de se poder elaborar avaliações de desempenho. A avaliação de desempenho é a comparação do que foi projetado e aquilo que efetivamente aconteceu. A avaliação pode ser feito com relação ao desempenho de outras empresas concorrentes, projetos ou tecnologias semelhantes, para que se possam conhecer seus pontos fortes e fracos, assim como o mapeamento das suas ameaças e oportunidades. O que se deve ter em mente é que, durante a prototipagem, essa análise pode focar outras empresas, tecnologias e projetos para que se possa elaborar um mapa avaliativo e metodologias apropriadas para serem aplicadas na tecnologia que é o foco do nosso investimento.
O quarto é que os testes econômicos permitam fazer análises de investimentos. Essa parte dos testes têm como finalidade avaliar a saúde financeira dos investimentos a serem feitos e realizados, assim como a determinação da viabilidade econômica do projeto. É através desses testes que se pode conhecer, por exemplo, qual é o mínimo de retorno possível que o projeto de geração tecnológica deve dar para que possa ser considerado atrativo (taxa mínima de atratividade). É preciso calcular a taxa de desconto do fluxo de caixa para igualar a zero o valor presente líquido a ser investido (taxa interna de retorno). O valor presente líquido é uma estratégia matemática que traz todo o dinheiro a ser investido para a data zero de início do projeto. Outros indicadores podem ser criados, em conformidade com a especificidade do projeto.
O penúltimo desafio dos testes econômicos é a orientação de políticas a serem seguidas para o alcance do sucesso do investimento (e do empreendimento) tecnológico. Uma política é um conjunto de diretrizes e regras que orientam as ações das pessoas em uma organização, como “garantir a participação dos cientistas nas decisões de custos da tecnologia”. Essas políticas precisam permitir que se possa calcular o seu impacto financeiro sobre os objetivos pretendidos, ajudando nas suas reformulações e aprimoramento. As políticas precisam se voltar para garantir o objetivo desejado.
O último foco é o arcabouço legal, dado que é são os princípios econômicos do direito que aferem tanto a eficiência quanto as consequências das normais e decisões gerenciais. A parte mais visível da análise é relativa à dimensão tributária, em que questões relativas a incentivos fiscais, flexibilidade alfandegária e desoneração de exportações impactam decisivamente as decisões econômicas. Outro foco é a dimensão trabalhista, com sua complexa teia de obrigações e algumas possibilidades de desoneração.
Os testes econômicos estão muito longe de serem avaliações superficiais e subjetivas de suposições relativas ao que se passa no “mercado”. Eles procuram dar conta não apenas da dinâmica oferta e demanda em si, mas no que se pode chamar de corte infraestrutural, se se considerar a economia como uma estrutura. Isso significa que o que acontece com a economia é a consequência do que se passa embaixo e ao lado dela, com traduções matemáticas que permitam sua aferição e seus impactos sobre os investimentos tecnológicos que se pretende fazer.

(*) Daniel Nascimento-e-Silva, PhD, Professor e Pesquisador do Instituto Federal do Amazonas (IFAM)