
Os testes financeiros são outra dimensão esquecida (ou desconhecida) das equipes geradoras de tecnologias. Quem está acostumado com as palavras “recursos” e “verba”, ignora o fato de que as finanças lidam com dinheiro, de forma que falar de finanças é se referir explicitamente a dinheiro, palavra muitas vezes tomada como venenosa, nociva, por muita gente que está envolvida com os desafios de criar tecnologias, principalmente em instituições públicas brasileiras. Assim, de forma sintética, pode-se dizer que as finanças são a gestão do movimento que o dinheiro deve fazer tanto no sentido endógeno (que vem de fora para dentro da organização e a equipe de construção da tecnologia) quanto exógeno (que vai no sentido contrário, da equipe e organização para fora). Na verdade, os fluxos financeiros são contrapartidas dos fluxos de produção, que representam as entregas daquilo que os clientes solicitaram nos fluxos de informação, de maneira que os fluxos financeiros são a contrapartida do que a organização e a equipe de criação tecnológica entregam aos seus clientes, usuários e consumidores. Esses fluxos abarcam atividades variadas e distintas, como a geração do dinheiro, poupança, investimento, contração de dívida e gastos, que podem ser traduzidos em especificações de origem do dinheiro (chamada de receitas) e suas aplicações (chamadas de despesas). Além disso, esses fluxos se aplicam a pessoas (finanças pessoais ou familiares), organizações (finanças organizacionais) e governos (finanças públicas) e têm o mesmo desafio: avaliar a sustentabilidade financeira de suas atividades.
A avaliação da sustentabilidade financeira tem como desafio garantir que o fluxo de dinheiro que a tecnologia a ser gerada vai trazer garanta a sustentabilidade do empreendimento. Isso pode ser traduzido da seguinte forma: a avaliação busca aferir se a entrada de dinheiro é pelo menos equivalente às despesas ou ao montante de lucro ou resultado desejado pela equipe ou gestão da organização. Essa avaliação é feita por meio dos chamados indicadores financeiros que, por sua vez, podem ser organizados em pelo menos quatro grupos: liquidez, rentabilidade, endividamento e atividade. Os indicadores financeiros medem a capacidade de pagar dívidas, especialmente as de curto prazo; os indicadores de rentabilidade avaliam a potencialidade da tecnologia de geração de lucro,, que é quando as entradas são maiores do que a saída; os indicadores de endividamento demostram o nível de endividamento da geração da tecnologia e de sua distribuição aos seus clientes; e os indicadores de atividade indicam o quão eficientes têm que ser ou estão sendo as vendas, licenças e outras formas de distribuição da tecnologia.
Os testes de liquidez têm o desafio de mostrar se o negócio da tecnologia que se pretende gerar é capaz de cumprir com as suas obrigações financeiras, principalmente as de curto prazo. O teste de liquidez corrente compara os ativos circulantes (que são a somatória dos bens e direitos de curto prazo) com os passivos circulantes (que são as dívidas de curto prazo). O teste de liquidez seca é muito parecido com o de liquidez corrente, com a diferença de que exclui os estoques do seu cálculo, enquanto a liquidez corrente inclui os estoques. O teste de liquidez imediata afere a capacidade de pagamento de dívidas com os recursos imediatamente disponíveis em caixa ou equivalentes.
Os testes de rentabilidade buscam ver se o empreendimento é capaz de gerar lucros com a tecnologia a ser distribuída. O teste da margem bruta vai indicar o lucro obtido pelo empreendimento após a dedução dos custos diretos de produção. O teste da lucratividade (também chamada de margem líquida) afere o lucro líquido em relação à receita total gerada. O teste do retorno sobre o investimento (ROI) mede a lucratividade do investimento na tecnologia em relação ao investimento feito. O teste do retorno sobre os ativos (ROA) é utilizado para avaliar se o empreendimento é ou não eficiente ao utilizar recursos financeiros para gerar lucro.
Os testes de endividamento fazem comparações entre a quantidade de dinheiro de terceiros (dívidas) e o dinheiro próprio da organização ou equipe de geração da tecnologia e, consequentemente, a capacidade de pagamento das dívidas. O teste de endividamento geral mostra a proporção dos recursos da organização geradora tecnologia que é financiada por dívidas. O teste de endividamento de longo prazo calcula o montante de financiamento de longo prazo em relação ao total de ativos, e serve para indicar a sustentabilidade financeira a longo prazo. O teste do grau de alavancagem financeira (GAF) faz a comparação do total de dívidas do negócio tecnológico em relação ao seu capital próprio, servindo para mostrar a proporção do financiamento de terceiros e do risco. O teste do índice de cobertura de juros tem como desafio avaliar a capacidade do empreendimento de pagar os juros de suas dívidas a partir dos lucros gerados por ele mesmo.
Os testes dos indicadores de atividades medem a velocidade com que o empreendimento tecnológico consegue vender ou distribuir a tecnologia e gerenciar seus ativos. O teste do ponto de equilíbrio vai aferir o volume de vendas que precisa ser feito para cobrir todos os custos e despesas para a criação ou produção da tecnologia sem gerar lucro ou prejuízo. O teste do prazo médio de estocagem (PME) é utilizado no caso de tecnologias estocáveis e mede o tempo médio necessário para o empreendimento renovar ou vender o estoque, mostrando a eficiência da gestão de estoques. O teste do prazo médio de cobrança (PMR) mostra o tempo médio que o empreendimento leva para receber o dinheiro das vendas realizadas a prazo aos clientes. O teste do prazo médio de pagamento (PMP) aponta o tempo médio que o empreendimento leva para pagar suas dívidas junto aos fornecedores.
Os testes financeiros de empreendimentos tecnológicos são métricas que medem a saúde econômica e o desempenho de empresas de tecnologia. Eles fornecem dados e informações essenciais para a gestão, tomada de decisões estratégicas e planejamento sustentável de crescimento. Analisam lucratividade, rentabilidade, liquidez e eficiência para que gestores e investidores avaliem a capacidade da tecnologia de gerar lucros, gerenciar seus recursos e alcançar seus objetivos.
