Dívida aperta famílias e Duda Ramos cobra limite para juros abusivos

Enquanto governo estuda novo socorro, deputado diz que problema está nos juros altos que pesam até na compra de comida. – Fotos: Ascom Parlamentar

O avanço do endividamento das famílias brasileiras voltou ao centro das discussões econômicas em Brasília. Atualmente, mais de 70% dos lares possuem algum tipo de dívida, e uma parcela significativa já enfrenta dificuldades para manter os pagamentos em dia. O cenário revela uma mudança importante no perfil do crédito, cresce o uso de modalidades mais caras, como o rotativo do cartão e o parcelamento de faturas, não para consumo supérfluo, mas para despesas essenciais, como alimentação e transporte.

Esse movimento expõe uma fragilidade estrutural da renda das famílias, pressionadas pelo custo de vida e pela instabilidade financeira. Na prática, o crédito tem deixado de ser um instrumento de consumo e passado a funcionar como mecanismo de sobrevivência, o que agrava o ciclo de endividamento.

Diante desse quadro, o Ministério da Fazenda tem articulado o lançamento de um novo programa de renegociação de dívidas, nos moldes do Desenrola Brasil. A iniciativa busca oferecer alívio imediato, facilitando acordos entre consumidores e instituições financeiras e reduzindo os índices de inadimplência. Apesar disso, avaliações técnicas indicam que medidas dessa natureza tendem a ter efeito temporário, sem enfrentar as causas estruturais do problema.

É nesse ponto que ganha destaque a posição do deputado Duda Ramos. O parlamentar tem defendido que a raiz do endividamento está diretamente ligada à ausência de limites mais claros para os juros praticados em modalidades de crédito de alto custo. Segundo ele, taxas elevadas no rotativo e no cheque especial dificultam a recuperação financeira e mantêm o consumidor preso a ciclos prolongados de dívida.

Antes mesmo da retomada desse debate no Executivo, Duda Ramos apresentou o Projeto de Lei nº 4111/2025, que estabelece um teto para juros nessas modalidades, com base em indexadores oficiais, aplicável a pessoas físicas e microempreendedores individuais. A proposta busca trazer previsibilidade ao sistema e evitar distorções que ampliam o custo do crédito de forma desproporcional.

No congresso, o tema ainda avança de forma lenta. Há espaço para aprofundar o debate sobre o equilíbrio entre proteção ao consumidor e funcionamento do mercado, mas iniciativas estruturais têm recebido menos prioridade do que medidas emergenciais.

A discussão atual evidencia a necessidade de combinar soluções de curto prazo com reformas mais amplas. O alívio imediato é importante, mas a construção de regras mais claras para o crédito pode ser determinante para evitar que o endividamento continue se reproduzindo no futuro.

Veja também

Topo