Tren de Aragua: Justiça bloqueia quase meio bilhão de reais e impõe um dos maiores golpes financeiros já desferidos contra a facção

Ao todo, as investigações identificaram 34 pessoas físicas e jurídicas suspeitas de integrar o esquema financeiro da facção. – Fotos: Ascom | PCRR

A PCRR (Polícia Civil de Roraima), por meio da DRACO (Delegacia de Repressão às Organizações Criminosas Organizadas), divulgou nesta quarta-feira, dia 17, novos resultados da Operação Rota do Norte. A ofensiva resultou no bloqueio judicial de R$ 429 milhões em contas bancárias e ativos financeiros ligados a investigados apontados como integrantes da estrutura financeira do Tren de Aragua, representando um dos maiores bloqueios patrimoniais já obtidos pela Polícia Civil de Roraima no enfrentamento ao crime organizado.

A medida judicial atinge diretamente o núcleo responsável pela movimentação, ocultação e lavagem de recursos provenientes de atividades criminosas como tráfico de drogas, tráfico de armas e outros delitos atribuídos à organização criminosa transnacional. Ao todo, as investigações identificaram 34 pessoas físicas e jurídicas suspeitas de integrar o esquema financeiro da facção.

Segundo o delegado titular da DRACO, Hugo Cardias, o bloqueio representa um duro golpe contra a capacidade operacional da organização criminosa.

“Esse bloqueio representa um duro golpe contra a facção criminosa, especialmente contra o seu braço financeiro. Essa estrutura era responsável por receber recursos provenientes do tráfico de drogas e do tráfico de armas, promovendo a ocultação e a lavagem desses valores para manter o funcionamento da organização”, destacou.

As investigações apontam que o grupo utilizava empresas, contas bancárias, veículos de alto valor comercial e outros mecanismos destinados à ocultação patrimonial para dissimular a origem ilícita dos recursos movimentados pela organização criminosa.

A Operação Rota do Norte é resultado de mais de um ano de investigação conduzida pela DRACO e decorre dos desdobramentos da Operação Kapok, deflagrada pela Polícia Civil de Roraima em 2025, que já havia identificado integrantes vinculados à estrutura criminosa investigada.

Até o momento, foram cumpridos 13 mandados de prisão preventiva expedidos pela Justiça. As diligências prosseguem nos seis estados alcançados pela operação com o objetivo de localizar os demais investigados e cumprir integralmente todas as medidas judiciais autorizadas.

Além das prisões, as equipes apreenderam veículos de alto padrão, alguns avaliados em aproximadamente R$ 1 milhão, além de drogas e armas de fogo encontradas durante o cumprimento dos mandados.

A operação mobilizou equipes das Polícias Civis de Roraima, Amazonas, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná. Policiais civis de Roraima também foram deslocados para acompanhar pessoalmente o cumprimento das medidas judiciais nos demais estados, reforçando a integração entre as forças de segurança envolvidas na ofensiva.

Ao destacar a importância da cooperação institucional, o delegado Hugo Cardias ressaltou que a atuação integrada foi fundamental para o alcance dos resultados.

“A integração entre as Polícias Civis e o apoio da RENORCRIM (Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento das Organizações Criminosas) foram fundamentais para o sucesso da operação. Esse trabalho conjunto fortalece o combate às organizações criminosas que atuam de forma interestadual e transnacional”, afirmou.

O delegado observou ainda que a estratégia adotada pela Polícia Civil busca enfraquecer as organizações criminosas não apenas por meio de prisões, mas principalmente atingindo suas fontes de financiamento, impedindo a circulação de recursos utilizados para sustentar atividades ilícitas e ampliar a atuação dos grupos criminosos.

A Operação Rota do Norte segue em andamento e novos resultados poderão ser divulgados nos próximos dias, à medida que as diligências forem concluídas.

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